Conteúdo revisado pelo Dr. Jonathan Doyun Cha, urologista especializado em doenças prostáticas e cirurgias minimamente invasivas.
A cirurgia robótica se consolidou como referência para o câncer de próstata, mas nem sempre é a melhor escolha para a próstata aumentada. Entenda as indicações reais desse procedimento
A cirurgia robótica conquistou um papel de destaque na urologia e se tornou uma das técnicas mais precisas para procedimentos prostáticos.
Com a plataforma Da Vinci, o cirurgião opera por meio de braços articulados e uma câmera 3D de alta definição, o que permite movimentos milimétricos em regiões de difícil acesso.
Mas uma dúvida muito comum aparece tanto entre pacientes quanto entre profissionais: afinal, quando a cirurgia robótica da próstata é, de fato, a melhor opção? E quando técnicas como o HoLEP ou a RTU entregam resultados superiores?
Neste artigo, Dr. Jonathan Doyun Cha, urologista do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, esclarece as diferenças entre as indicações de tratamento para hiperplasia prostática benigna (HPB) e câncer de próstata.
O objetivo é ajudar você a entender, de forma clara, qual abordagem tende a fazer mais sentido em cada situação clínica. Vamos lá?
O que é cirurgia robótica da próstata?
A cirurgia robótica de próstata é um procedimento minimamente invasivo realizado com o auxílio do sistema Da Vinci, o robô cirúrgico mais utilizado no mundo.
Lançado em 1999 pela Intuitive Surgical, esse equipamento recebeu aprovação da FDA, a agência reguladora dos Estados Unidos, em 2000.
Em 2008, a cirurgia robótica no Brasil teve início no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Desde então, a urologia passou a ser a especialidade que mais utiliza a abordagem robótica no país.
Como funciona a tecnologia robótica?
O cirurgião se posiciona em um console e controla os braços do robô por meio de joysticks e pedais. Assim, o sistema traduz os movimentos das mãos do médico em ações mais precisas, enquanto filtra tremores naturais.
Além disso, uma câmera de alta definição oferece visão tridimensional ampliada do campo operatório.
Dessa forma, o profissional identifica com mais clareza estruturas delicadas, como os feixes nervosos ligados à ereção e o esfíncter responsável pela continência urinária.
Diferença entre robótica, laparoscopia e cirurgia aberta
A cirurgia aberta exige uma incisão do umbigo até a região pubiana. Embora ofereça visão direta, o campo de visualização é limitado. Já a laparoscopia reduz esse impacto, pois utiliza pequenas incisões e câmera 2D.
Por sua vez, a cirurgia robótica combina o melhor dos dois métodos: incisões mínimas, como na laparoscopia, com visão 3D e instrumentos articulados, que reproduzem os movimentos da mão humana com mais amplitude e precisão.
Onde a cirurgia robótica é mais utilizada?
A prostatectomia radical, que remove completamente a próstata nos casos de câncer, é o procedimento robótico mais realizado na urologia. Além disso, a técnica também se aplica a cirurgias de rim, bexiga e reconstruções do trato urinário.
No caso da próstata, a principal indicação continua sendo o câncer de próstata localizado.
Cirurgia robótica é indicada para próstata aumentada (HPB)?
Essa pergunta aparece com frequência no consultório, e a resposta merece atenção. A indicação depende do tamanho da próstata, da gravidade do quadro e das condições clínicas de cada paciente.
Na maioria dos casos de HPB, não
Para tratar a hiperplasia prostática benigna, as técnicas por via uretral costumam ser as opções preferenciais.
Nesse contexto, tanto o HoLEP (enucleação com Holmium Laser) quanto a RTU (ressecção transuretral) dispensam incisões abdominais e favorecem uma recuperação mais rápida.
O Dr. Jonathan Cha explica que o HoLEP remove o tecido prostático no plano onde ele se origina, como ao descascar o gomo de uma mexerica com laser.
Assim, a técnica retira um volume maior de tecido e pode ser usada em próstatas de todos os tamanhos, com melhora dos sintomas urinários que pode chegar a até 90% em cinco anos.
Confira mais detalhes em: Qual a melhor cirurgia para próstata aumentada?
Quando a robótica pode ser considerada na HPB?
A cirurgia robótica entra como alternativa em situações específicas, especialmente quando a próstata atinge um volume muito grande, geralmente acima de 200 gramas.
Nesse cenário, o procedimento remove o tecido de forma parcial, preservando a cápsula prostática.
Pacientes com condições associadas que contraindiquem a via uretral também podem se beneficiar. Ainda assim, essa indicação precisa ser avaliada caso a caso, com honestidade sobre riscos e benefícios.
Por que HoLEP e RTU são preferidas na HPB?
Ambas as técnicas acessam a próstata pela uretra, sem necessidade de cortes no abdômen. Assim, o tempo de recuperação tende a ser menor e o resultado funcional, melhora do jato urinário, esvaziamento da bexiga e redução da noctúria,costuma ser bastante satisfatório.
Além disso, o Greenlight Laser, outra modalidade por via uretral, também é uma opção para próstatas entre 30 e 40 gramas, sobretudo em pacientes idosos ou em uso de anticoagulantes.
Por isso, a escolha entre essas técnicas depende do volume prostático e do perfil clínico do paciente.
Cirurgia robótica no câncer de próstata
É no tratamento do câncer de próstata que a cirurgia robótica encontra a sua principal indicação. A prostatectomia radical robótica, remoção completa da glândula e das vesículas seminais, é considerada referência para tumores localizados.
Prostatectomia radical robótica
O procedimento é realizado por meio de pequenas incisões abdominais (de 1 a 2,5 cm), por onde entram quatro braços robóticos.
Três deles carregam instrumentos cirúrgicos e o quarto sustenta a câmera 3D. O cirurgião controla tudo a partir do console, com imagens ampliadas transmitidas em tempo real.
A operação dura em média de 2 a 4 horas. Diferente da cirurgia aberta, que exige uma incisão extensa do umbigo à região pubiana, a abordagem robótica reduz o trauma e o sangramento de forma significativa.
Indicações clássicas
A técnica pode ser recomendada para pacientes com câncer de próstata em estágios localizados ou localmente avançados, desde que não existam metástases em outros órgãos.
O urologista avalia o estágio do tumor, o valor do PSA, o escore de Gleason e a expectativa de vida do paciente para definir a melhor conduta.
Para entender a doença com mais profundidade, acesse câncer de próstata: causas, sintomas e tratamentos.
Objetivos da cirurgia
A prostatectomia radical robótica persegue três objetivos ao mesmo tempo: remover o tecido tumoral por completo, preservar a continência urinária e manter a função erétil sempre que o cenário oncológico permitir.
A visão ampliada e a precisão dos instrumentos favorecem a dissecção cuidadosa dos feixes neurovasculares, estruturas essenciais para a ereção.
Cirurgia robótica causa impotência?
O receio sobre a função erétil é legítimo e merece uma resposta transparente. O impacto na ereção depende diretamente do tipo de doença tratada e da extensão do procedimento.
Diferença entre HPB e câncer
Na HPB, quando a robótica é utilizada, o cirurgião retira apenas o tecido interno aumentado e preserva a cápsula da próstata. Os nervos responsáveis pela ereção ficam por fora dessa cápsula, o que torna o risco de disfunção erétil baixo.
No câncer, a situação muda. A remoção é total, incluindo glândula e vesículas seminais. Os feixes neurovasculares passam ao lado da próstata, e a possibilidade de preservá-los depende do estágio e da localização exata do tumor.
Preservação de nervos e expectativas reais
A cirurgia robótica favorece a preservação nervosa graças à visão tridimensional ampliada. Quando a extensão do tumor permite, o cirurgião consegue dissecar os feixes com mais segurança do que na cirurgia aberta convencional.
Mesmo com essa preservação, é natural que a ereção demore alguns meses para retornar. A reabilitação peniana precoce, orientada pelo urologista, faz diferença nos resultados funcionais a longo prazo.
Recuperação após cirurgia robótica da próstata
O pós-operatório tende a ser tranquilo. Nos primeiros dias, o paciente mantém uma dieta leve e realiza caminhadas curtas, quem se movimenta logo após a cirurgia costuma se reabilitar mais rápido.
A sonda urinária permanece por alguns dias para ajudar na cicatrização interna. A maioria dos homens retorna às atividades leves entre duas e três semanas. Já esforços físicos intensos e relações sexuais dependem da liberação do urologista, que geralmente acontece entre quatro e seis semanas.
O menor trauma tecidual proporcionado pela técnica robótica contribui diretamente para esse retorno mais ágil à rotina, quando comparado à cirurgia aberta.
Cirurgia robótica x HoLEP x RTU: entenda as diferenças
A escolha entre essas técnicas depende da doença e das condições individuais de cada paciente. Veja como elas se diferenciam:
Tipo de doença tratada
A RTU e o HoLEP tratam exclusivamente a hiperplasia prostática benigna, retirando o tecido que obstrui o canal urinário. A cirurgia robótica é indicada principalmente para o câncer de próstata, removendo a glândula por completo.
Grau de invasividade
RTU e HoLEP são realizados por via uretral, sem cortes no abdômen. A cirurgia robótica utiliza pequenas incisões abdominais (de 1 a 2,5 cm). Apesar de minimamente invasiva, a abordagem robótica é mais complexa do que as técnicas transuretrais.
Impacto na função urinária e sexual
Nas técnicas para HPB, a função erétil costuma ser preservada com segurança. Na prostatectomia radical para câncer, existe risco de impacto na ereção e na continência, embora a robótica ofereça melhores condições de preservação nervosa.
HoLEP: saiba tudo sobre essa tecnologia e RTU de próstata: entenda como funciona esse procedimento. Saiba mais sobre o tema!
Cuidar da próstata é cuidar da sua qualidade de vida
Se você chegou até aqui, provavelmente está pesquisando sobre a sua saúde ou a de alguém próximo, e isso já é um passo importante. Sabemos que lidar com questões da próstata pode gerar insegurança, dúvidas e até um certo receio de buscar ajuda.
Mas a verdade é que quanto mais cedo você conversar com um urologista de confiança, mais opções de tratamento estarão disponíveis e melhores tendem a ser os resultados.
Cada caso é único, e a melhor cirurgia não é a mais moderna ou a mais cara: é aquela que faz sentido para o seu corpo, o seu diagnóstico e o seu momento de vida.
Não adie essa conversa. Um bom acompanhamento urológico pode transformar a forma como você vive os próximos anos.
Cirurgia robótica da próstata é com o Dr. Jonathan Cha
O Dr. Jonathan Doyun Cha é urologista do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, certificado pela Intuitive Surgical para cirurgias robóticas e pela Lumenis para o procedimento HoLEP.
Com formação internacional pela Universidade Harvard e Clinical Fellowship no Clinic Hospital de Barcelona, realiza uma avaliação individualizada para indicar a abordagem mais adequada a cada caso, seja a cirurgia robótica para câncer, o HoLEP, a RTU ou outra técnica.
Perguntas frequentes sobre cirurgia robótica da próstata
O que é cirurgia robótica?
É um procedimento minimamente invasivo em que o cirurgião opera com o auxílio de um sistema robótico, como o Da Vinci. O robô não age sozinho, o médico controla todos os movimentos a partir de um console, com visão 3D ampliada e instrumentos articulados que filtram tremores.
Quanto custa uma cirurgia de próstata robótica?
O valor depende do hospital, da equipe médica e do tipo de procedimento (HPB ou câncer). Muitos planos de saúde cobrem a prostatectomia radical robótica para câncer de próstata. Para valores específicos, consulte o urologista e verifique a cobertura junto à sua operadora.
Como é feita a cirurgia robótica?
O cirurgião faz pequenas incisões no abdômen (de 1 a 2,5 cm) para inserir os braços robóticos e a câmera 3D. A partir do console, controla os instrumentos com precisão milimétrica. O procedimento leva de 2 a 4 horas, e a maioria dos pacientes recebe alta em 24 a 48 horas.
Cirurgia robótica da próstata causa impotência?
Depende do tipo de cirurgia. Na HPB, o risco é baixo porque a cápsula e os nervos são preservados. No câncer, a remoção total da próstata pode afetar a ereção, porém a técnica robótica favorece a preservação nervosa. A reabilitação peniana orientada pelo urologista contribui para a recuperação funcional.
Qual a diferença entre cirurgia robótica e HoLEP?
O HoLEP trata a hiperplasia prostática benigna por via uretral, sem incisões externas, e remove o tecido que obstrui o canal urinário. A cirurgia robótica é voltada principalmente ao câncer de próstata e exige incisões abdominais mínimas para remover a glândula por completo. São técnicas complementares, com indicações distintas.



