Conteúdo revisado pelo Dr. Jonathan Doyun Cha, urologista especializado em doenças prostáticas e cirurgias minimamente invasivas.
Do diagnóstico ao tratamento, entenda como o câncer de próstata se desenvolve, quais sinais merecem atenção e por que a informação certa muda o rumo da decisão
Você pesquisou por câncer de próstata e provavelmente está diante de um resultado de exame, de uma recomendação médica ou de uma dúvida que não sai da cabeça.
Independentemente do motivo que trouxe você até aqui, buscar informação de qualidade já representa uma atitude concreta a seu favor, ou seja, informação clara e decisão no tempo certo mudam o desfecho.
A seguir, você confere o que precisa saber sobre sintomas, diagnóstico, estadiamento e tratamentos, sempre com base em fontes confiáveis e na experiência clínica do Dr. Jonathan Cha.
O que é câncer de próstata?
Independentemente do motivo que trouxe você até aqui, buscar informação de qualidade já representa uma atitude concreta a seu favor.
Segundo a Estimativa 2026-2028 do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar cerca de 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano.
Esse é o tumor mais frequente entre os homens, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Por outro lado, quando a doença é identificada cedo, os dados do programa SEER (Instituto Nacional de Câncer dos EUA) apontam taxas de sobrevida próximas a 100% em cinco anos.
Como o tumor se desenvolve?
O câncer de próstata surge quando células da próstata começam a se multiplicar de forma desordenada, formando um tumor maligno, uma neoplasia prostática.
A próstata é uma glândula pequena, localizada abaixo da bexiga e à frente do reto, e participa da produção do líquido seminal, que compõe o sêmen.
Na prática clínica, explico que a próstata envolve a uretra como um anel; por isso, quando um tumor cresce nessa região, pode comprimir o canal e gerar sintomas urinários, embora isso nem sempre aconteça no início.
Além disso, a maioria dos tumores prostáticos são adenocarcinomas, que se originam nas células glandulares.
Em muitos casos, crescem lentamente e demoram anos para causar alterações; no entanto, alguns têm comportamento mais agressivo e exigem intervenção rápida.
Frequência da doença no Brasil e no mundo
A nova Estimativa 2026-2028 do Inca projeta que o câncer de próstata represente 30,5% de todos os diagnósticos de câncer masculino no país.
A nova Estimativa 2026-2028 do Inca projeta que o câncer de próstata represente 30,5% de todos os diagnósticos de câncer masculino no país — o tipo mais incidente entre os homens.
Cerca de 75% dos casos ocorrem em homens com mais de 65 anos, mas isso não significa que homens mais jovens estejam livres de risco — especialmente quando há histórico familiar.
Fatores de risco
As causas exatas ainda não são totalmente conhecidas. No entanto, sabe-se que uma combinação de fatores genéticos, hormonais e ambientais contribui para o surgimento da doença. Entre os principais, destacam-se:
- Idade: o risco aumenta a partir dos 50 anos e sobe consideravelmente após os 65;
- Histórico familiar: parentes de primeiro grau com a doença elevam significativamente a probabilidade. Para quem deseja se aprofundar nesse ponto, recomendo a leitura do artigo Câncer de próstata é hereditário?;
- Etnia: homens negros apresentam maior risco de desenvolver formas mais agressivas da doença;
- Obesidade e sedentarismo: o excesso de gordura corporal e a falta de atividade física favorecem inflamações crônicas e alterações hormonais;
- Dieta desequilibrada: consumo frequente de carnes vermelhas, embutidos e ultraprocessados pode impactar a saúde prostática;
- Exposição ocupacional: contato prolongado com substâncias como cádmio, herbicidas e pesticidas;
A presença de um ou mais fatores não significa que a doença vai se desenvolver. Da mesma forma, muitos homens recebem o diagnóstico sem apresentar qualquer fator identificável.
Por isso, o rastreamento regular se torna fundamental.
Sintomas do câncer de próstata
Uma das perguntas mais comuns no consultório é: “Quais os sintomas de câncer de próstata?” A resposta nem sempre é simples.
Sintomas urinários
Nas fases iniciais, o câncer de próstata raramente provoca sintomas.
Nesse estágio, quando o tumor ainda está confinado à glândula, o paciente pode não perceber nenhuma alteração, o que reforça a importância de exames regulares, mesmo sem queixas.
À medida que a doença progride, podem surgir sinais como dificuldade para urinar, jato urinário fraco, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e aumento da frequência urinária, especialmente à noite.
Sangue na urina ou no sêmen
A presença de sangue na urina (hematúria) ou no sêmen (hematospermia) pode indicar alterações prostáticas. No entanto, esses sinais também podem aparecer em condições benignas, como infecções ou hiperplasia prostática e, por isso, exigem investigação com um urologista.
Sintomas avançados
Nos estágios mais avançados, o tumor pode se espalhar para ossos, linfonodos e outros órgãos.
Como consequência, podem surgir sintomas como dores ósseas (especialmente em costas, quadril e ombros), perda de peso sem causa aparente, dormência nos membros e, em alguns casos, insuficiência renal.
Para entender melhor esse cenário, consulte o artigo Sintomas de câncer de próstata avançado.
Se você percebeu qualquer sinal fora do comum, não espere os sintomas piorarem. Ouvir o corpo e procurar avaliação médica é uma forma concreta de se proteger.
Como é feito o diagnóstico do câncer de próstata?
Detectar a doença cedo muda completamente o cenário.
O diagnóstico do câncer de próstata combina avaliação clínica, exames laboratoriais e de imagem.
PSA
O PSA (Antígeno Prostático Específico) é uma proteína produzida pela próstata. Em níveis elevados no sangue, ele pode sinalizar inflamações, aumento benigno ou até a presença de um tumor.
No entanto, um resultado alterado não confirma o câncer; ainda assim, ele acende um alerta e indica a necessidade de investigação mais aprofundada.
Toque retal
É um exame rápido e fundamental. Por meio dele, o urologista identifica alterações no tamanho, na consistência e na presença de nódulos.
Na prática, muitos pacientes ainda temem esse exame; no entanto, ele dura poucos segundos e fornece informações que nenhum outro exame substitui por completo.
Ressonância multiparamétrica
A ressonância magnética multiparamétrica da próstata é um exame de imagem avançado que identifica áreas suspeitas com alta precisão.
Além disso, ela orienta a biópsia para os pontos mais relevantes e, assim, aumenta a acurácia do diagnóstico.
Biópsia da próstata
A biópsia de próstata é o único exame que confirma o diagnóstico de câncer, pois retira fragmentos da glândula para análise histológica. Além disso, o médico pode realizá-la por via transretal ou transperineal.
Com base nesses resultados, o especialista define a agressividade do tumor por meio da classificação de Gleason, o que orienta as próximas etapas do tratamento.
Estadiamento do câncer de próstata
Após a confirmação do diagnóstico, o próximo passo é entender em que estágio a doença se encontra.
Por isso, o estadiamento do câncer de próstata define qual caminho de tratamento seguir e é justamente nesse momento que a decisão precisa ser bem informada.
Para uma explicação detalhada, recomendo o artigo Estadiamento do câncer de próstata.
Câncer localizado
Nesse estágio, o tumor permanece confinado à próstata, sem invadir estruturas vizinhas. Por isso, esse cenário apresenta o maior potencial de cura.
Além disso, segundo o banco de dados SEER, a sobrevida relativa em cinco anos para doença localizada se aproxima de 100%.
Câncer localmente avançado
Nesse estágio, o tumor ultrapassa a cápsula da próstata e pode atingir as vesículas seminais ou tecidos próximos; no entanto, ainda não se dissemina para órgãos distantes.
Por isso, esse cenário exige uma abordagem terapêutica mais abrangente, frequentemente com a combinação de cirurgia e terapias complementares.
Câncer metastático
Neste estágio, as células tumorais se espalharam para linfonodos, ossos ou outros órgãos.
O tratamento foca no controle da progressão e na preservação da qualidade de vida.
Mesmo assim, os avanços em terapia hormonal de nova geração e quimioterapia têm ampliado as possibilidades de sobrevida.
Tratamentos para câncer de próstata
O tratamento do câncer de próstata depende do estágio, da agressividade do tumor, da idade e das condições clínicas do paciente.
Para conhecer cada opção em detalhes, acesse o artigo Tratamentos para câncer de próstata.
Vigilância ativa
Indicada para tumores de baixo risco, essa abordagem consiste em acompanhamento rigoroso com exames periódicos.
Nesse contexto, o médico só inicia o tratamento se houver sinais de progressão, o que permite adiar ou até evitar intervenções mais invasivas e seus efeitos colaterais.
Cirurgia (prostatectomia radical)
A remoção completa da próstata é uma das principais formas de tratamento para o câncer localizado. Nesse contexto, a cirurgia robótica tem se consolidado como uma abordagem segura e precisa, pois utiliza braços robóticos inseridos por pequenas incisões.
Como resultado, o procedimento proporciona menor sangramento, menor tempo de internação e recuperação mais rápida.
Radioterapia
A radioterapia utiliza radiações ionizantes para destruir células tumorais. Além disso, o médico pode aplicá-la de forma externa, com feixes direcionados à próstata, ou interna (braquiterapia).
Em geral, essa abordagem é indicada especialmente quando o tumor ainda está confinado à glândula.
Terapias focais
Essas técnicas tratam apenas a área do tumor dentro da próstata e, assim, preservam o tecido saudável ao redor.
Além disso, representam uma opção intermediária entre a vigilância ativa e os tratamentos mais radicais.
Como resultado, podem reduzir efeitos colaterais como incontinência urinária e disfunção erétil.
Terapias sistêmicas
Essas abordagens incluem terapia hormonal e quimioterapia.
A terapia hormonal reduz os níveis de testosterona e, assim, ajuda a frear o crescimento tumoral, sendo indicada principalmente para casos localmente avançados ou metastáticos.
Já a quimioterapia atua de forma sistêmica e, por isso, costuma ser reservada para situações em que o câncer deixa de responder ao bloqueio hormonal.
Prognóstico e sobrevida do câncer de próstata
Câncer de próstata tem cura? Sim, especialmente quando diagnosticado precocemente.
De acordo com dados do programa SEER, a sobrevida relativa em cinco anos se aproxima de 100% nos casos de doença localizada ou regional.
Quando o câncer já se disseminou para outros órgãos, porém, essa taxa cai de forma significativa, o que reforça a importância de não adiar a investigação.
Além disso, cada caso é único. O prognóstico depende de fatores como Gleason, níveis de PSA no diagnóstico, estadiamento e resposta ao tratamento.
Por isso, o seguimento regular com o urologista, mesmo após a conclusão do tratamento, é fundamental para detectar recidivas precocemente.
Quem tem câncer de próstata pode ter relações?
Sim. É possível manter uma vida sexual ativa após o diagnóstico, especialmente com acompanhamento médico adequado e estratégias adaptadas a cada etapa do tratamento.
No entanto, fatores como o tipo de abordagem, os efeitos colaterais e a idade podem influenciar temporariamente o desejo ou a função erétil.
Ainda assim, com o apoio de um urologista especializado e de terapias complementares, é possível recuperar a confiança e preservar o bem-estar íntimo.
Para entender melhor esse tema, leia o artigo completo: Quem tem câncer de próstata pode ter relações?
Como prevenir o câncer de próstata?
Nem todos os casos podem ser prevenidos. Porém, adotar hábitos saudáveis contribui para reduzir fatores de risco e manter a saúde prostática sob controle:
- Alimentação equilibrada;
- Atividade física regular;
- Controle do peso;
- Evitar cigarro e álcool em excesso;
- E, acima de tudo, manter check-ups urológicos regulares a partir dos 40 anos (ou antes, se houver histórico familiar).
Essas são medidas que fazem diferença concreta.
Tratamento para câncer de próstata com o Dr. Jonathan Cha
Se você identificou sintomas, recebeu um resultado alterado ou deseja realizar acompanhamento preventivo, agende uma consulta com o Dr. Jonathan Doyun Cha.
Urologista do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, ele oferece uma abordagem clínica e cirúrgica moderna, com foco no diagnóstico precoce e no tratamento individualizado.
Além disso, utiliza tecnologias avançadas, como a cirurgia robótica, para proporcionar mais precisão e melhores resultados.
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FAQ – Perguntas frequentes sobre câncer de próstata
Qual o tamanho da próstata em risco de câncer?
O tamanho da próstata, por si só, não determina risco de câncer. Uma próstata grande pode ser benigna e uma de tamanho normal pode abrigar um tumor. O que realmente importa são os resultados do PSA, do toque retal e, quando indicada, da biópsia. Foque nos exames, não apenas na medida.
O que causa câncer de próstata?
Não existe uma causa única. A doença resulta da interação entre fatores como envelhecimento, genética, etnia, obesidade e hábitos de vida. Homens com parentes de primeiro grau que tiveram câncer de próstata devem iniciar o rastreamento mais cedo, a partir dos 40 anos.
O que é câncer de próstata?
É um tumor maligno que se forma nas células da próstata, geralmente de crescimento lento. Boa parte dos casos é diagnosticada em estágio localizado, quando as chances de cura são elevadas. O acompanhamento urológico regular permite detectar a doença antes que qualquer sintoma apareça.
Como prevenir o câncer de próstata?
Manter peso saudável, praticar atividade física, evitar tabaco e álcool em excesso e cuidar da alimentação ajudam a reduzir o risco. Mas a medida mais eficaz segue sendo o rastreamento periódico com exame de PSA e toque retal, especialmente após os 50 anos ou 40, para quem tem histórico familiar.



