Radioterapia trata câncer de próstata? Entenda como funciona

Conteúdo revisado pelo Dr. Jonathan Doyun Cha, urologista especializado em doenças prostáticas e cirurgias minimamente invasivas.

A radioterapia no câncer de próstata é tão eficaz quanto a cirurgia para a maioria dos cânceres localizados e, com as tecnologias atuais, tornou-se ainda mais precisa e menos agressiva ao organismo.

Quando o diagnóstico de câncer de próstata é confirmado, a primeira dúvida de muitos pacientes é: “Preciso operar?” A resposta é, na maioria dos casos, não necessariamente. 

A radioterapia no câncer de próstata é uma opção terapêutica consolidada, com eficácia comparável à cirurgia para determinados estágios da doença e, com os recursos disponíveis hoje, ela se tornou mais direcionada, com menor impacto sobre os tecidos saudáveis e maior qualidade de vida durante o tratamento.

Entender como essa abordagem funciona, para quem é indicada e o que esperar ao longo do processo é fundamental para que o paciente e sua família tomem decisões informadas junto ao médico urologista.

O que é radioterapia para câncer de próstata?

Como funciona o tratamento?

A radioterapia utiliza feixes de radiação de alta energia para destruir células cancerígenas ou impedir que elas se multipliquem. 

No contexto do câncer de próstata, a radiação é direcionada com precisão à glândula prostática e, quando necessário, às estruturas adjacentes comprometidas pelo tumor.

As células tumorais são especialmente vulneráveis à radiação porque se dividem com mais frequência do que as células saudáveis. 

É exatamente nesse processo de divisão que a radiação age, danificando o DNA celular a ponto de inviabilizar a multiplicação. Com o tempo, as células afetadas morrem e o tumor regride.

Tipos de radiação

Na prática clínica, dois tipos principais de radiação são utilizados no tratamento da próstata: 

1) Radiação externa, que projeta feixes de fora do corpo em direção à glândula;

 2) Radiação interna (braquiterapia), na qual fontes radioativas são inseridas diretamente no tecido prostático. 

Em casos selecionados, os dois métodos são associados para potencializar os resultados.

Objetivo da radioterapia

O objetivo principal é eliminar as células malignas com o menor impacto possível sobre os tecidos ao redor, como bexiga, reto e nervos responsáveis pela função erétil. 

Quanto mais modernas as técnicas, maior é essa precisão e menor o risco de efeitos adversos significativos.

Quando a radioterapia é indicada?

Câncer localizado

A radioterapia é considerada uma opção de primeira linha para pacientes com câncer de próstata localizado (estágios T1 e T2), especialmente quando o tumor apresenta risco baixo ou intermediário. 

Nessa fase, a taxa de controle da doença com radioterapia é comparável à da cirurgia, oferecendo ao paciente uma alternativa igualmente eficaz, porém sem intervenção cirúrgica.

Estágios do câncer de próstata: T1: câncer não identificado no exame de toque da próstata; T2: tumor primário, limitado à próstata; T3: é quando a doença afeta também a cápsula prostática e as vesículas seminais; T4: o câncer invade outras estruturas próximas; N0: inexistência de metástases nos nódulos linfáticos da região da próstata; N1: existência de metástases nos nódulos linfáticos da região da próstata; M1: existência de metástases em outros órgãos ou ossos mais distantes da próstata.

Pacientes que não podem operar

Nem todo paciente é candidato à cirurgia. Homens com doenças cardiovasculares, diabetes descontrolada, insuficiência renal ou outras comorbidades que elevam o risco cirúrgico podem se beneficiar da radioterapia da próstata como alternativa segura e igualmente eficaz. 

Da mesma forma, pacientes mais idosos que preferem evitar o procedimento cirúrgico frequentemente encontram nessa abordagem uma solução adequada ao seu perfil clínico.

Tratamento complementar à cirurgia

Há situações em que a radioterapia é indicada após uma prostatectomia radical. Isso ocorre quando os resultados anatomopatológicos revelam células cancerígenas que não foram completamente removidas ou quando o PSA começa a subir após a operação, sinalizando possível recidiva bioquímica.

Nesse cenário, a radioterapia adjuvante ou de salvamento age diretamente sobre as células residuais antes que o problema se agrave. A decisão de quando iniciar esse tratamento complementar é feita com base nos valores de PSA e na avaliação clínica individualizada.

Tipos de radioterapia para câncer de próstata

Radioterapia externa

A radioterapia externa é o método mais utilizado. Um equipamento chamado acelerador linear projeta feixes de radiação sobre a próstata a partir de fora do corpo. As principais técnicas disponíveis são:

  • IMRT (Radioterapia de Intensidade Modulada): ajusta a intensidade da radiação em tempo real, permitindo maior precisão sobre o tumor com menor exposição aos tecidos circundantes;
  • Radioterapia Conformacional 3D (3D-CRT): utiliza imagens tridimensionais da próstata para moldar os feixes de acordo com o formato exato do órgão;
  • IGRT (Radioterapia Guiada por Imagem): incorpora imagens durante o próprio tratamento para monitorar a posição da próstata a cada sessão, corrigindo variações e garantindo máxima precisão.

Cada técnica tem indicações próprias. A escolha depende do estágio da doença, da estrutura da clínica e do perfil do paciente.

Braquiterapia

Consiste na inserção de fontes radioativas diretamente no tecido prostático. Há duas modalidades: 

  • Baixa dose-taxa (LDR), em que sementes permanecem permanentemente na próstata emitindo radiação gradualmente; 
  • Alta dose-taxa (HDR), em que a fonte radioativa é inserida e retirada em poucas horas.

A braquiterapia próstata é especialmente eficaz para tumores de baixo risco e crescimento lento, sendo menos indicada para casos de doença avançada ou de alto volume tumoral.

Radioterapia combinada

Em pacientes com tumores de risco intermediário a alto, a associação de radioterapia externa e braquiterapia pode oferecer resultados superiores à utilização isolada de cada método. 

Essa estratégia, chamada de terapia combinada, é definida individualmente com base no estadiamento, no volume tumoral e nas condições clínicas do paciente.

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Como é o tratamento na prática?

Quantas sessões de radioterapia são necessárias?

O número de sessões de radioterapia para câncer de próstata varia conforme o protocolo adotado. Os esquemas mais comuns incluem:

  • Fracionamento convencional: 40 a 45 sessões ao longo de 8 a 9 semanas;
  • Hipofracionamento moderado: 20 a 28 sessões em aproximadamente 5 a 6 semanas;
  • Radioterapia estereotáxica (SBRT): 5 sessões com doses mais altas, indicada para casos selecionados.

Duração do tratamento

Cada sessão individualmente é rápida, em torno de 10 a 20 minutos, incluindo o posicionamento do paciente. 

O tratamento não é doloroso, não exige anestesia e é realizado em regime ambulatorial: o paciente vai à clínica, recebe a irradiação e retorna para casa no mesmo dia, sem necessidade de internação.

Rotina do paciente

Durante o período de tratamento, recomenda-se que o paciente mantenha a bexiga moderadamente cheia e o reto vazio antes de cada sessão, isso garante maior precisão no posicionamento da próstata. 

Restrições alimentares simples, como evitar alimentos flatulentos, e boa hidratação fazem parte da orientação padrão. A maioria dos pacientes mantém sua rotina profissional e social normalmente ao longo das sessões.

Efeitos colaterais da radioterapia na próstata

Sintomas urinários

Os efeitos colaterais mais frequentes durante a radioterapia próstata envolvem o trato urinário: ardência ao urinar, aumento da frequência miccional e urgência são sintomas comuns, especialmente nas semanas intermediárias do tratamento. 

Na maioria dos casos, são temporários e regridem após o término das sessões.

Alterações intestinais

A proximidade anatômica da próstata com o reto pode gerar irritação intestinal durante a radioterapia. 

O paciente pode apresentar aumento da frequência evacuatória, desconforto retal ou fezes com muco. 

Com as técnicas modernas de IMRT e IGRT, a exposição do reto à radiação é reduzida significativamente, diminuindo a incidência e a intensidade desses efeitos.

Disfunção erétil

A radioterapia no câncer de próstata pode causar disfunção erétil, mas de forma progressiva e geralmente mais tardia do que na cirurgia. 

Isso ocorre porque a radiação pode afetar os vasos sanguíneos e nervos responsáveis pela ereção ao longo do tempo. 

Fatores como a idade do paciente, presença de diabetes ou hipertensão, técnica utilizada e dose total de radiação influenciam esse risco. Para muitos homens, a função erétil se mantém por anos após o tratamento. 

Quando a disfunção se instala, há tratamentos farmacológicos e terapias de reabilitação sexual eficazes disponíveis.

Radioterapia ou cirurgia: qual escolher?

Diferenças entre os tratamentos

Radioterapia

  • Indicada para cânceres localizados e pacientes sem condições cirúrgicas
  • Preserva a próstata
  • Baixo risco de incontinência urinária
  • Disfunção erétil progressiva, quando ocorre — surge meses ou anos após o tratamento
  • Não exige internação
  • Requer monitoramento periódico do PSA após o tratamento

Cirurgia (prostatectomia)

  • Indicada principalmente para pacientes mais jovens com câncer localizado de alto risco
  • Remove a próstata por completo
  • Risco moderado de incontinência urinária, geralmente temporária
  • Disfunção erétil pode ocorrer após o procedimento
  • Exige internação
  • Requer monitoramento periódico do PSA após o tratamento

Indicações específicas

A cirurgia tende a ser preferida em homens mais jovens, com boa condição clínica e tumores de alto risco sem metástases, pois permite a remoção completa da glândula e análise histopatológica detalhada. 

A radioterapia é especialmente indicada para pacientes mais velhos, com comorbidades, ou que optam por evitar cirurgia sem abrir mão da eficácia terapêutica.

Como tomar a decisão

Não existe resposta universal. A decisão entre radioterapia e cirurgia depende do estadiamento do tumor, do escore de Gleason, dos valores de PSA, da idade e das condições clínicas do paciente, além das suas preferências pessoais.

O papel do urologista é apresentar as opções com clareza, baseando-se em evidências e no perfil individual de cada paciente. Discutir riscos, benefícios e expectativas antes de qualquer decisão é o caminho mais seguro.

TABELA DE PSA POR IDADE: Idade  Valores normais para indivíduos brancos Valores normais para indivíduos negros  Valores normais para indivíduos amarelos 40 a 49 anos 0,0 até 2,5 ng/ml 0,0 até 2 ng/ml 0,0 até 2 ng/ml 50 a 59 anos 0,0 até 3,5 ng/ml 0,0 até 4 ng/ml 0,0 até 3 ng/ml 60 a 69 anos 0,0 até 4,5 ng/ml 0,0 até 4,5 ng/ml 0,0 até 4 ng/ml 70 a 79 anos 0,0 até 6,5 ng/ml 0,0 até 5,5 ng/ml 0,0 até 5 ng/ml

Converse com o Dr. Jonathan Cha

A radioterapia no câncer de próstata é um tratamento consolidado, seguro e eficaz, com resultados comparáveis à cirurgia para a maioria dos cânceres localizados. 

Com as tecnologias disponíveis, como IMRT, IGRT e braquiterapia, a precisão aumentou, os efeitos adversos diminuíram e a qualidade de vida durante o tratamento melhorou significativamente.

O Dr. Jonathan Doyun Cha é especialista em doenças prostáticas e tumores urológicos, com atuação no Hospital Israelita Albert Einstein. Ele oferece avaliação criteriosa e atendimento humanizado para indicar a melhor abordagem terapêutica para cada paciente, seja radioterapia, cirurgia ou vigilância ativa.

A escolha entre radioterapia, cirurgia ou outras abordagens deve ser feita com base em critérios técnicos precisos, em diálogo aberto com um especialista de confiança. Não existe protocolo genérico, existe o melhor tratamento para o seu caso.

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FAQ — Perguntas estruturadas 

1. Radioterapia cura câncer de próstata? 

Sim, especialmente quando o tumor está localizado na próstata (estágios T1 e T2). A taxa de controle da doença com radioterapia é comparável à da cirurgia nesses casos, com chance de cura elevada quando o tratamento é iniciado precocemente e conduzido com técnicas modernas.

2. Radioterapia na próstata dói? 

Não. As sessões de radioterapia externa são indolores e não exigem anestesia. Durante o tratamento, alguns pacientes relatam desconfortos urinários ou intestinais, mas a irradiação em si não causa dor. Esses sintomas são, na maioria dos casos, temporários.

3. Quantas sessões de radioterapia são necessárias para câncer de próstata? 

O número varia conforme o protocolo. Os esquemas mais comuns envolvem de 5 a 45 sessões, dependendo da técnica escolhida, radioterapia convencional, hipofacionamento moderado ou SBRT. O urologista e o radio-oncologista definem juntos o protocolo ideal para cada caso.

4. Radioterapia causa impotência sexual? 

Pode ocorrer disfunção erétil, mas de forma progressiva e geralmente mais tardia do que após a cirurgia. Fatores como idade, saúde vascular, técnica utilizada e dose total influenciam esse risco. Quando a disfunção aparece, tratamentos farmacológicos e terapias de reabilitação sexual estão disponíveis.

5. Radioterapia ou cirurgia: qual é melhor para câncer de próstata? 

Não existe uma opção universalmente superior. A escolha depende do estadiamento, do escore de Gleason, dos valores de PSA, da idade e das condições clínicas do paciente. O urologista é o profissional indicado para orientar essa decisão de forma individualizada, com base em evidências.

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