HIFU (ultrassom focalizado de alta intensidade) no tratamento do câncer de próstata

Conteúdo revisado pelo Dr. Jonathan Doyun Cha, urologista especializado em doenças prostáticas e cirurgias minimamente invasivas.

O HIFU para próstata representa um novo paradigma no tratamento oncológico: tecnologia de ultrassom focalizado de alta intensidade que elimina o tumor sem nenhuma incisão

Receber o diagnóstico de câncer de próstata levanta uma série de perguntas difíceis: preciso operar? Vou ter sequelas? Existe outra opção? 

Para um grupo selecionado de pacientes, a resposta pode ser o HIFU para próstata, uma tecnologia que usa ultrassom focalizado de alta intensidade para destruir células tumorais sem fazer nenhum corte no corpo.

O tratamento HIFU (High Intensity Focused Ultrasound) é considerado uma das abordagens mais modernas dentro das chamadas terapias focais para o câncer de próstata.

Ao concentrar energia sonora em um ponto preciso do tecido prostático, o aparelho HIFU provoca a destruição térmica das células cancerosas, enquanto preserva estruturas vizinhas essenciais para a continência urinária e a função sexual.

O que é HIFU?

Como funciona o ultrassom focalizado de alta intensidade?

O HIFU utiliza ondas sonoras de alta frequência direcionadas para um ponto focal dentro da próstata, semelhante ao funcionamento de uma lupa que concentra a luz do sol. 

No ponto de convergência das ondas, a temperatura pode ultrapassar os 85°C em frações de segundo, destruindo o tecido-alvo por coagulação térmica. Fora do foco, os tecidos vizinhos permanecem intactos.

O procedimento é guiado por imagem em tempo real, geralmente ultrassom transretal, o que permite ao médico monitorar e ajustar o tratamento com precisão milimétrica.

Como o tumor é destruído?

A destruição celular ocorre por dois mecanismos principais: o calor gerado no ponto focal (hipertermia ablativa) e o fenômeno da cavitação, que cria microbolhas no tecido capazes de romper as membranas celulares. 

O resultado é a necrose das células tumorais dentro da zona tratada. Em seguida, o organismo elimina naturalmente os resíduos celulares ao longo de algumas semanas.

Diferença para a cirurgia convencional

Na prostatectomia radical, toda a glândula prostática é removida. No HIFU, o objetivo pode ser tratar apenas a região onde o tumor está localizado, o chamado tratamento focal, sem remover nenhum órgão. 

Isso é o que diferencia profundamente o HIFU das abordagens tradicionais e explica o interesse crescente pelo tratamento sem cirurgia para a próstata entre médicos e pacientes.

Para quem o HIFU é indicado?

Câncer de próstata localizado

O HIFU é indicado principalmente para pacientes com câncer de próstata localizado, quando o tumor ainda está confinado à glândula, sem sinais de disseminação para linfonodos ou outros órgãos. 

Casos de baixo risco ou risco intermediário favorável são os mais estudados na literatura e apresentam os melhores resultados documentados.

Critérios médicos para a indicação

Antes de indicar o HIFU, o urologista avalia uma série de fatores clínicos e de imagem. 

Entender o estadiamento do câncer de próstata é fundamental para compreender quais exames embasam essa decisão. Os principais parâmetros considerados são:

  • Escore de Gleason (grau de agressividade do tumor);
  • Nível de PSA e sua cinética ao longo do tempo;
  • Volume prostático e localização do tumor na biópsia;
  • Achados de ressonância magnética multiparamétrica (mpRM);
  • Ausência de extensão extracapsular ou metástases.

Pacientes com próstatas muito volumosas, doença de alto risco ou evidência de disseminação geralmente não são candidatos ao HIFU como tratamento primário.

Pacientes selecionados para outras situações

O HIFU também pode ser considerado como tratamento de resgate em pacientes com recorrência local após radioterapia, desde que a avaliação multidisciplinar confirme a elegibilidade. 

Cada caso é absolutamente individual, a decisão deve ser compartilhada entre o paciente e o especialista, considerando expectativa de vida, comorbidades e preferências pessoais.

Como é feito o procedimento HIFU?

Anestesia e posicionamento

O procedimento é realizado sob anestesia geral ou raquianestesia. O paciente é posicionado em decúbito lateral e o dispositivo HIFU é introduzido por via transretal, sem nenhuma incisão na pele

As ondas de ultrassom são emitidas a partir daí em direção ao tecido prostático a ser tratado, com controle preciso por imagem em tempo real.

Tempo do procedimento e internação

A duração varia conforme o volume prostático e a extensão da área a ser tratada, mas em geral o procedimento leva entre 1 e 3 horas

A internação costuma ser de apenas 1 dia, muitos pacientes recebem alta na manhã seguinte ao procedimento, o que representa uma diferença significativa em relação à cirurgia convencional.

Recuperação após o HIFU

Tempo de recuperação e retorno às atividades

A recuperação do HIFU para a próstata é significativamente mais rápida do que após uma prostatectomia radical. 

A maioria dos pacientes retoma atividades leves em poucos dias

  • Atividades físicas mais intensas podem ser retomadas em 2 a 3 semanas, conforme orientação médica;
  • O retorno ao trabalho em funções que não exijam esforço físico intenso costuma ocorrer entre 5 e 10 dias

A recuperação mais tranquila é um dos fatores que tornam o HIFU atraente para homens ativos que buscam mínimo impacto na rotina.

Uso de sonda após o HIFU

Após o procedimento, o paciente fica com uma sonda uretral por alguns dias, em geral entre 5 e 14 dias, até que o edema prostático regresse e a micção seja retomada de forma eficaz. 

Esse é um aspecto importante do pós-operatório que deve ser planejado e discutido com o médico com antecedência.

Vantagens do HIFU para próstata

Preservação da função sexual

Uma das principais vantagens descritas para o HIFU focal é o menor impacto sobre a função erétil em comparação com a prostatectomia radical ou a radioterapia de toda a glândula. 

Como o tratamento pode ser direcionado apenas para a região do tumor, os feixes neurovasculares responsáveis pela ereção têm maior chance de ser preservados, um fator de grande relevância para a qualidade de vida após o tratamento.

Menor risco de incontinência urinária

Pela mesma lógica, o risco de incontinência urinária tende a ser menor no tratamento focal com HIFU em relação à cirurgia convencional, especialmente quando o esfíncter uretral externo está fora da zona de ablação. 

Sintomas urinários transitórios no pós-operatório imediato são comuns e normalmente se resolvem em poucas semanas.

Procedimento minimamente invasivo

Sem cortes, sem cicatrizes externas, recuperação mais rápida e internação reduzida: essas características tornam o HIFU uma opção atraente para pacientes com câncer de próstata localizado que valorizam a qualidade de vida no período pós-tratamento. 

O fato de poder ser repetido, se necessário, também é uma vantagem em relação a algumas outras abordagens.

Limitações e riscos do HIFU

Nem todos são candidatos

O HIFU não substitui a cirurgia em todos os cenários. Tumores de alto risco, doença bilateral extensa ou próstatas com volume muito elevado podem não se beneficiar de uma abordagem focal. 

A seleção criteriosa do paciente é, literalmente, o fator mais determinante para o sucesso do tratamento. Por isso, a avaliação por um urologista experiente em terapias focais é indispensável.

Efeitos colaterais possíveis

Os efeitos colaterais mais relatados do HIFU incluem:

  • Sintomas urinários irritativos transitórios (urgência e frequência aumentada);
  • Obstrução urinária temporária;
  • Menos frequentemente, disfunção erétil

A fístula uretroretal é uma complicação rara, mas grave, e tende a ser mais frequente em centros sem experiência adequada. 

A escolha do médico e a tecnologia do equipamento utilizado influenciam diretamente nesses desfechos.

Possibilidade de retratamento e seguimento

Por se tratar de uma ablação focal e não da remoção completa da glândula, existe a possibilidade de que focos tumorais não tratados progridam ou que o paciente precise de tratamento adicional no futuro

O seguimento rigoroso com dosagem de PSA e biópsia de controle nos meses seguintes ao HIFU é essencial para monitorar a resposta ao tratamento.

HIFU vs cirurgia vs radioterapia

Comparação direta entre as abordagens

A tabela abaixo resume as principais diferenças entre o HIFU, a cirurgia (prostatectomia radical) e a radioterapia para o câncer de próstata localizado. 

Vale reforçar: nenhuma abordagem é universalmente superior, a melhor escolha depende do perfil individual de cada paciente.

🔬 HIFU🔪 Cirurgia☢️ Radioterapia
AbordagemAblação focalRemoção da glândulaRadiação
Internação0–1 dia1–3 diasAmbulatorial
RecuperaçãoRápidaModeradaSemanas a meses
Risco de incontinênciaBaixo a moderadoModeradoBaixo a moderado
Risco de impotênciaMenor (focal)Moderado a altoModerado
CandidaturaSelecionadaAmplaAmpla

A decisão entre essas modalidades deve ser tomada em conjunto com um urologista experiente, considerando os dados clínicos completos, as preferências do paciente e as evidências científicas disponíveis.

Agende uma consulta com o Dr. Jonathan Cha

O HIFU para próstata exige mais do que tecnologia avançada, exige um especialista que saiba exatamente quando indicá-lo, como realizá-lo e como acompanhar o paciente em cada etapa do processo.

O Dr. Jonathan Doyun Cha é urologista do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, com formação internacional em Harvard (EUA) e Barcelona (Espanha), cidade onde as terapias focais para câncer de próstata já fazem parte da rotina clínica há anos. 

Com experiência em cirurgia robótica, técnicas a laser e procedimentos minimamente invasivos, o Dr. Jonathan avalia cada caso com profundidade: estadiamento, perfil do tumor, qualidade de vida desejada e expectativas do paciente entram na equação antes de qualquer decisão.

Se você ou alguém próximo recebeu o diagnóstico de câncer de próstata e quer entender se o HIFU é uma opção viável para o seu caso, o primeiro passo é uma avaliação especializada. 

Entre em contato com o Dr. Jonathan e entenda mais sobre o seu caso. 

Tirinha de fale conosco e agende uma consulta com o Dr. Jonathan Doyun Cha

FAQ – Perguntas frequentes sobre o HIFU para próstata

O que é HIFU para próstata? 

HIFU significa High Intensity Focused Ultrasound, ultrassom focalizado de alta intensidade. 

É um procedimento minimamente invasivo que usa ondas sonoras direcionadas para destruir células do câncer de próstata sem nenhuma incisão cirúrgica

O calor gerado no ponto focal do aparelho HIFU elimina o tecido tumoral com precisão, preservando estruturas vizinhas importantes para a continência e a função sexual.

Quanto custa o tratamento HIFU para próstata? 

O custo do HIFU para próstata no Brasil varia conforme a instituição, o perfil do paciente e a extensão do tratamento. 

Por ser um procedimento de alta tecnologia disponível em centros especializados, na maioria dos casos ainda não conta com cobertura pelos planos de saúde, sendo realizado de forma particular. O urologista pode fornecer uma estimativa precisa após a avaliação clínica individual.

HIFU substitui a cirurgia para câncer de próstata? 

Não necessariamente. O HIFU é uma alternativa válida para casos específicos, principalmente câncer localizado de baixo a risco intermediário

Em tumores de alto risco ou com extensão extraprostática, a cirurgia ou a radioterapia costumam ser as abordagens preferenciais. A indicação correta depende de uma avaliação individualizada com um especialista.

O HIFU tem risco de impotência ou incontinência? 

O risco de disfunção erétil após HIFU existe, mas tende a ser menor do que após a prostatectomia radical, especialmente quando o tratamento é focal e preserva os feixes neurovasculares. O risco de incontinência urinária também é geralmente menor. 

Sintomas urinários temporários são comuns no pós-operatório e costumam se resolver em poucas semanas. Cada caso é único, os resultados dependem da localização do tumor, da técnica usada e das condições basais do paciente.

O HIFU para próstata vale a pena? 

Para o paciente certo, com a indicação correta, o HIFU pode oferecer controle oncológico com menor impacto na qualidade de vida em comparação com abordagens mais radicais. 

A resposta definitiva, porém, depende de uma avaliação individualizada que considere o perfil do tumor, as condições clínicas e as expectativas de qualidade de vida pós-tratamento.

 

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