Adenocarcinoma de próstata: entenda o tipo mais comum de câncer prostático

Médico explica diagnóstico e opções de tratamento para adenocarcinoma de próstata durante consulta com paciente.

Conteúdo revisado pelo Dr. Jonathan Doyun Cha, urologista especializado em doenças prostáticas e cirurgias minimamente invasivas.

O adenocarcinoma de próstata é o tipo de câncer que mais aparece nos laudos de biópsia masculinos e entender esse diagnóstico é o primeiro passo para enfrentá-lo com segurança.

O que é adenocarcinoma de próstata? É um tumor maligno originado nas células glandulares da próstata e é o tipo mais comum de câncer prostático, segundo o Mayo Clinic Proceedings.

Receber esse diagnóstico gera dúvidas legítimas: o tumor é agressivo? Tem cura? Qual tratamento é indicado? As respostas dependem de fatores específicos, mas uma coisa é certa: entender o diagnóstico muda a forma de enfrentá-lo.

Para um panorama completo sobre o tema, saiba mais sobre o câncer de próstata.

O que é adenocarcinoma de próstata?

Origem do tumor

A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino, localizada logo abaixo da bexiga. Ela é composta principalmente por células glandulares, responsáveis por produzir parte do líquido seminal.

O adenocarcinoma se origina exatamente nessas células. O prefixo “adeno” vem do grego e significa glândula. Portanto, o adenocarcinoma é um carcinoma (tumor maligno) com origem glandular.

  • Quem: homens, predominantemente após os 50 anos;
  • Onde: glândula prostática, especialmente na zona periférica;
  • Por quê: mutações genéticas nas células glandulares, frequentemente influenciadas por fatores hormonais e envelhecimento.

Por que ele é o tipo mais comum?

A próstata é essencialmente glandular. Como a maior parte do seu tecido é formada por células desse tipo, as mutações que levam ao câncer ocorrem com muito mais frequência nelas do que em qualquer outra célula prostática.

Além disso, os andrógenos, como a testosterona, estimulam a atividade dessas células ao longo de toda a vida do homem. Esse estímulo contínuo aumenta a probabilidade de alterações genéticas que podem iniciar o processo tumoral.

Diferença entre adenocarcinoma e outros tumores prostáticos

Existem outros tipos de tumor que podem surgir na próstata, como o carcinoma de células escamosas, o carcinoma ductal e os tumores neuroendócrinos. Todos são consideravelmente mais raros.

O adenocarcinoma acinar de próstata, também chamado de adenocarcinoma acinar usual ou adenocarcinoma de próstata padrão acinar,  é a forma mais comum desse tumor. É ele que aparece na maior parte dos laudos de biópsia.

Essa distinção importa porque cada tipo de tumor tem comportamento, prognóstico e resposta ao tratamento diferentes. Por isso, identificar o tipo no laudo é o ponto de partida de qualquer decisão clínica.

Como o adenocarcinoma de próstata é diagnosticado?

PSA e toque retal

O diagnóstico começa com dois exames de rastreamento:

  • PSA (antígeno prostático específico): proteína produzida pela próstata, dosada no sangue. Pode estar elevada em casos de inflamação, crescimento benigno ou tumor.
  • Toque retal: avaliação manual da glândula pelo urologista, que verifica textura, tamanho e presença de nódulos suspeitos.

Nenhum dos dois exames, isoladamente, confirma o adenocarcinoma. Mas a combinação de PSA alterado com toque retal sugestivo justifica a investigação por imagem e, eventualmente, a biópsia.

Ressonância da próstata

A ressonância magnética multiparamétrica da próstata é um exame de imagem de alta precisão que identifica áreas suspeitas dentro da glândula antes da biópsia.

Ela utiliza o sistema de classificação PI-RADS (escala de 1 a 5) para indicar o grau de suspeita de malignidade em cada área identificada:

  • PI-RADS 1–2: achado provavelmente benigno;
  • PI-RADS 3: achado intermediário;
  • PI-RADS 4–5: alta suspeita de malignidade — biópsia indicada.

A ressonância aumenta significativamente a precisão do diagnóstico quando usada antes da biópsia dirigida.

Biópsia da próstata

A confirmação do adenocarcinoma de próstata só é possível por meio da biópsia da próstata. O procedimento consiste na coleta de fragmentos de tecido prostático, que são analisados pelo patologista em laboratório.

É o laudo da biópsia que vai determinar:

  • Se há células malignas presentes;
  • Qual o tipo histológico do tumor (adenocarcinoma acinar, ductal etc.);
  • Qual o escore de Gleason;
  • Qual a extensão do acometimento nos fragmentos.

Esses dados são indispensáveis para definir o tratamento adequado.

O que significa o resultado da biópsia?

Escore de Gleason

O escore de Gleason é o principal sistema de graduação histológica do adenocarcinoma de próstata. 

O urologista identifica os dois padrões celulares mais predominantes no tecido coletado e atribui uma pontuação de 1 a 5 para cada um. Os dois valores são somados, gerando o escore final.

Na prática clínica, os escores mais relevantes variam de 6 a 10:

EscoreClassificaçãoComportamento esperado
6 (3+3)Bem diferenciadoMenos agressivo
7 (3+4)Grau intermediárioRisco moderado
7 (4+3)Grau intermediário-altoRisco moderado-alto
8 (4+4)Pouco diferenciadoAgressivo
9–10IndiferenciadoAlto grau de agressividade

* O escore de Gleason é um dos critérios de decisão, não o único. Estadiamento, PSA e condição clínica são igualmente considerados.

Grau de agressividade

Além do escore, o especialista pode identificar fatores adicionais de prognóstico no laudo, como:

  • Invasão perineural: quando o tumor adenocarcinoma invade os nervos ao redor da próstata;
  • Extensão do acometimento: percentual de fragmentos positivos e porcentagem de cada fragmento comprometido;
  • Invasão angiolinfática: comprometimento de vasos sanguíneos ou linfáticos.

Esses elementos, combinados ao Gleason, ajudam a classificar o tumor como de baixo, intermediário ou alto risco, classificação que orienta diretamente a escolha do tratamento.

Estadiamento do tumor

O estadiamento do adenocarcinoma de próstata segue o sistema TNM:

  • T (Tumor): extensão local do tumor;
  • N (Linfonodo): comprometimento de gânglios linfáticos;
  • M (Metástase): presença de doença a distância.

Dependendo do risco, o urologista pode solicitar exames complementares como cintilografia óssea ou tomografia computadorizada para avaliar se há metástases.

Adenocarcinoma de próstata tem cura?

Câncer localizado

Quando o adenocarcinoma de próstata é diagnosticado ainda confinado à glândula, as chances de controle completo da doença são muito altas. 

Na fase inicial, quando as chances de cura beiram 90%, o câncer de próstata não costuma apresentar sintomas, o que torna o rastreamento periódico o principal fator de prognóstico favorável da doença, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

Importância do diagnóstico precoce

O adenocarcinoma de próstata em estágios iniciais frequentemente não causa sintomas. O paciente pode ter PSA elevado sem sentir absolutamente nada, o que torna o rastreamento periódico indispensável.

A SBU ainda recomenda que homens sem fatores de risco iniciem o rastreamento aos 50 anos. Para aqueles com histórico familiar de câncer de próstata, a recomendação é a partir dos 45 anos.

Chances de controle da doença

Mesmo em casos de adenocarcinoma agressivo ou com comprometimento regional, o arsenal terapêutico disponível hoje é robusto. A combinação de tratamentos locais e sistêmicos permite controle prolongado em muitos pacientes.

Em tumores localizados, o objetivo é a remissão completa. Em casos mais avançados, o foco é o controle duradouro com qualidade de vida preservada. Adenocarcinoma agressivo significa que a decisão terapêutica exige ainda mais precisão e especialização.

Tratamentos para adenocarcinoma de próstata

A escolha do tratamento depende do escore de Gleason, do estadiamento, do PSA, da idade e da condição clínica geral do paciente. 

Não existe uma resposta única, já que o tratamento é sempre individualizado.

Vigilância ativa

  • Quando usar: tumores de baixo risco (Gleason 6, PSA baixo, doença localizada em estágio inicial).

O paciente não inicia tratamento imediato, mas é monitorado com PSA periódico, ressonância e biópsias de seguimento. O objetivo é evitar o tratamento de tumores que provavelmente não causarão dano clínico, preservando a qualidade de vida.

  • Quando não usar: tumores de risco intermediário ou alto, pacientes jovens com doença significativa, ou quadros com PSA em ascensão rápida.

Cirurgia

A prostatectomia radical, remoção cirúrgica completa da próstata, é uma das principais opções para tumores localizados e de risco intermediário.

Hoje, a abordagem robótica é considerada o padrão de referência para essa cirurgia, oferecendo maior precisão anatômica, menor sangramento e recuperação mais rápida. 

Pode haver impacto temporário na função urinária e sexual no pós-operatório, com recuperação progressiva ao longo dos meses.

Entenda mais: Cirurgia de câncer de próstata: quais são tipos, vantagens e desvantagens

Radioterapia

A radioterapia é uma alternativa eficaz à cirurgia, especialmente para pacientes que não são candidatos ao procedimento cirúrgico ou que preferem uma abordagem não operatória.

Em tumores de alto risco, costuma ser combinada com hormonioterapia (terapia de privação androgênica) para potencializar os resultados.

Terapias focais

Para casos selecionados, existem terapias focais como o ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU) e a crioterapia, que tratam apenas a área tumoral sem remover a glândula inteira.

São opções mais recentes, com indicações precisas e crescente base de evidências na literatura. 

Não substituem a cirurgia ou a radioterapia em todos os perfis, mas representam alternativas válidas para pacientes selecionados após avaliação especializada.

Tratamento para adenocarcinoma de próstata com o Dr. Jonathan Cha

Receber o diagnóstico de adenocarcinoma de próstata exige, acima de tudo, o acompanhamento de um urologista com experiência real em oncologia prostática, alguém capaz de interpretar o laudo, conduzir o estadiamento e indicar o tratamento mais adequado para cada caso.

O Dr. Jonathan Doyun Cha é urologista do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), formação internacional em Harvard e Barcelona, e certificação em cirurgia robótica pela Intuitive Surgical.

Cada paciente recebe uma avaliação criteriosa, com tempo de escuta, explicação clara do diagnóstico e construção conjunta do plano terapêutico, sem pressa, sem decisões genéricas.

Se você recebeu um resultado de biópsia ou quer entender melhor o seu diagnóstico, agende uma consulta com o Dr. Jonathan e dê o próximo passo com segurança.

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FAQ — Perguntas frequentes sobre adenocarcinoma de próstata

O que é adenocarcinoma de próstata? 

É o tipo mais comum de câncer de próstata, originado nas células glandulares da próstata. É um tumor maligno, mas com prognóstico favorável quando detectado precocemente.

Adenocarcinoma de próstata é maligno? 

Sim. Adenocarcinoma é, por definição, um tumor maligno. Porém, seu grau de agressividade varia conforme o escore de Gleason e o estadiamento. Muitos casos têm comportamento indolente e excelente resposta ao tratamento.

Adenocarcinoma de próstata tem cura? 

Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), na fase inicial as chances de cura beiram 90%. Em estágios mais avançados, o controle prolongado da doença é possível com as terapias disponíveis. O prognóstico é favorável na maioria dos casos tratados adequadamente.

O que significa adenocarcinoma acinar de próstata? 

O adenocarcinoma acinar, também chamado de adenocarcinoma acinar usual ou padrão acinar, é a forma mais comum desse tumor. É o tipo que aparece na maior parte dos laudos de biópsia de próstata.

Gleason 8 (4+4) é grave? 

Um escore de Gleason 8 indica tumor de alto grau, com comportamento mais agressivo e maior potencial de progressão. Exige avaliação detalhada do estadiamento e tratamento mais intensivo. 

Esses casos exigem atuação especializada e decisão terapêutica rigorosa, o que não significa ausência de opções eficazes.

Todo adenocarcinoma de próstata precisa de cirurgia? 

Não. A decisão pelo tratamento depende do escore de Gleason, estadiamento, PSA, idade e condição clínica do paciente. Casos de baixo risco podem ser manejados sem intervenção imediata. A avaliação com urologista especializado é indispensável para definir a melhor conduta.

Adenocarcinoma pode ter metástase? 

Sim. Em estágios avançados, o adenocarcinoma de próstata pode se disseminar para linfonodos regionais, ossos e outros órgãos. Por isso, o estadiamento completo, com exames como cintilografia óssea ou tomografia, é fundamental em casos de alto risco.

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