Quem tem câncer de próstata pode ter relações? Entenda o que muda, cuidados e orientações médicas

A imagem mostra um momento íntimo de um casal maduro deitado na cama, onde o homem se inclina para a mulher em um gesto de carinho relacionado ao tema “quem tem câncer de próstata pode ter relações?”. O momento é de ternura e conforto, enfatizado pelas mãos entrelaçadas no centro, transmitindo a conexão e a intimidade do casal.

Conteúdo revisado pelo Dr. Jonathan Doyun Cha, urologista especializado em doenças prostáticas e cirurgias minimamente invasivas.

Muitos homens diagnosticados com câncer de próstata vivem com dúvidas importantes: quem tem câncer de próstata pode ter relações sexuais durante e após o tratamento? A boa notícia é que, em muitos casos, sim, mas a experiência pode mudar.

A vida íntima após o diagnóstico de câncer de próstata 

Receber o diagnóstico de câncer de próstata gera uma série de dúvidas e preocupações. Entre as questões que mais causam ansiedade nos pacientes está: quem tem câncer de próstata pode ter relações sexuais?

A resposta é sim. A vida sexual não precisa acabar após o diagnóstico. No entanto, é fundamental compreender o que pode mudar, quais cuidados são necessários e como preservar a intimidade durante e após o tratamento.

Neste artigo, vamos esclarecer os principais mitos e verdades sobre sexualidade e câncer de próstata, além de apresentar orientações médicas baseadas em evidências científicas.

Quem tem câncer de próstata pode ter relações sexuais?

Durante o tratamento

Sim, é possível manter relações sexuais durante o tratamento do câncer de próstata, desde que não haja contraindicações médicas específicas. 

No entanto, alguns tratamentos podem causar efeitos colaterais temporários que afetam a função sexual.

Os principais tratamentos incluem:

  • Cirurgia (prostatectomia): remoção total ou parcial da próstata;
  • Radioterapia externa: radiação direcionada à próstata;
  • Braquiterapia: implantes radioativos na próstata;
  • Hormonoterapia: bloqueio dos hormônios masculinos;
  • Vigilância ativa: monitoramento regular sem tratamento imediato.

Após a cirurgia de próstata

Se não houver contraindicações, o homem pode retomar sua vida sexual dois meses após a cirurgia para remoção da próstata. No entanto, a recuperação completa da função sexual pode levar mais tempo.

O paciente normalmente fica apto a ter relações sexuais a partir dos 45 dias após a cirurgia, mas isso ocorre somente se o paciente não tiver nenhuma intercorrência.

É importante ressaltar que cada caso é único, e o tempo de recuperação varia conforme a idade, condições de saúde pré-existentes e tipo de cirurgia realizada.

O que muda na vida sexual após o tratamento?

1. Ausência de ejaculação (orgasmo seco)

As vesículas seminais, que produzem cerca de 70% do fluido seminal, são removidas na cirurgia de remoção da próstata e, com isso, não é possível ejacular.

Isso significa que o homem terá o chamado “orgasmo seco”, ou seja, ele consegue sentir prazer e atingir o orgasmo, mas sem liberação de sêmen.

A ejaculação é a liberação de sêmen, algo físico, enquanto o orgasmo é a sensação de prazer intenso, algo emocional.

2. Disfunção erétil

A disfunção erétil é um dos efeitos colaterais mais comuns após o tratamento do câncer de próstata. Isso ocorre porque os nervos responsáveis pela ereção podem ser afetados durante a cirurgia ou radioterapia.

Cerca de metade dos homens com bom desempenho sexual antes do tratamento do câncer de próstata ainda terá uma boa função após o tratamento da doença.

Felizmente, existem tratamentos eficazes para a disfunção erétil:

  • Medicamentos orais: Sildenafila (Viagra) ou Tadalafila (Cialis);
  • Reabilitação pélvica: fisioterapia especializada;
  • Prótese peniana: em casos mais severos.

3. Mudanças no desejo sexual

A hormonioterapia pode reduzir a libido ao bloquear a testosterona, hormônio responsável pelo desejo sexual masculino. 

Além disso, fatores psicológicos como ansiedade, medo e preocupação com a doença podem afetar o interesse sexual.

Câncer de próstata é contagioso? Posso transmitir pela relação sexual?

Outra das principais dúvidas dos pacientes é se o câncer de próstata pode ser transmitido por contato íntimo. A resposta é não.

O câncer de próstata não é uma doença contagiosa. Ele não se transmite por contato físico, beijo, toque, abraços ou relações sexuais. Portanto, não há qualquer risco de “passar” a doença para a parceira ou parceiro durante uma relação.

O que pode existir é uma predisposição genética entre membros da família, mas isso não tem relação com o contato sexual.

Cuidados importantes durante a retomada da vida sexual

Comunicação com a parceira ou parceiro

O diálogo aberto é fundamental. Compartilhar medos, expectativas e limitações ajuda a construir uma intimidade mais profunda e compreensiva.

Retomada gradual

O médico orienta o paciente a resgatar os momentos de intimidade aos poucos, incluindo a prática da masturbação. Isso é importante para o homem entender como o corpo reage aos estímulos sexuais nessa nova realidade.

Repensar o conceito de sexo

O sexo vai além da penetração. Carícias, beijos, massagens e outras formas de intimidade podem ser igualmente satisfatórias e prazerosas.

Buscar apoio profissional

Urologistas, psicólogos especializados em sexualidade e fisioterapeutas pélvicos podem oferecer orientação e tratamento adequados.

Atividade sexual pode prevenir o câncer de próstata?

Alguns estudos científicos sugerem uma possível relação protetora entre atividade sexual regular e menor risco de desenvolver câncer de próstata.

Um estudo de Harvard concluiu que homens que ejaculavam 21 ou mais vezes por mês tinham menos 31% de risco de desenvolver tumor na próstata do que aqueles que o fizessem apenas quatro a sete vezes por mês.

A principal hipótese para esse efeito protetor é que a ejaculação regular ajuda a limpar toxinas e estruturas cristalinas da próstata, que poderiam contribuir para o desenvolvimento de tumores.

No entanto, é importante ressaltar que os estudos são observacionais e não provam uma relação de causa direta, apenas uma associação. 

Outros fatores, como estilo de vida saudável, alimentação equilibrada e prática regular de exercícios, também desempenham papel fundamental na prevenção.

Entenda mais sobre o câncer de próstata: dados e estatísticas no Brasil

O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum entre homens brasileiros, representando 29% dos diagnósticos oncológicos masculinos. 

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 71.730 novos casos por ano para o triênio 2023-2025.

Homens com mais de 55 anos, com excesso de peso e obesidade, estão mais propensos à doença. 

Além disso, o histórico familiar é um fator de risco importante: homens com parentes de primeiro grau diagnosticados têm o risco dobrado de desenvolver a condição.

A boa notícia é que, quando detectado precocemente, o câncer de próstata tem altas taxas de cura e permite que os pacientes vivam muitos anos com qualidade de vida.

Importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata

O INCA recomenda que os homens estejam alertas a qualquer anormalidade no corpo e procurem o serviço de saúde o mais breve possível para realizar o diagnóstico precoce do câncer de próstata.

Os principais exames utilizados são:

  • PSA (Antígeno Prostático Específico): exame de sangue que mede proteína produzida pela próstata;
  • Toque retal: avaliação física do tamanho, volume, textura e forma da próstata;
  • Biópsia: confirmação diagnóstica quando há suspeita.

Homens acima de 50 anos ou com histórico familiar devem realizar acompanhamento médico regular. 

Então, é possível viver bem após o câncer de próstata?

Sim, quem tem câncer de próstata pode ter relações sexuais e uma vida saudável! 

Embora o tratamento possa trazer mudanças temporárias ou permanentes na função sexual, existem recursos médicos, terapêuticos e de suporte que permitem aos homens manter uma vida íntima satisfatória e prazerosa.

O mais importante é:

  • Manter comunicação aberta com o médico e o parceiro(a);
  • Buscar tratamento adequado para disfunção erétil, se necessário;
  • Ressignificar o conceito de sexualidade e intimidade;
  • Cuidar da saúde física e emocional;
  • Realizar acompanhamento médico regular.

A vida após o diagnóstico pode ser plena, ativa e satisfatória. Com o tratamento correto e acompanhamento especializado, é possível atravessar essa fase com confiança, esperança e qualidade de vida.

A importância do acompanhamento com urologista especializado: conheça o Dr. Jonathan

A jornada do câncer de próstata é desafiadora, mas não precisa ser enfrentada sozinho. Contar com um urologista experiente faz toda a diferença no tratamento e na qualidade de vida.

Dr. Jonathan Doyun Cha é urologista graduado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com especialização pela Faculdade de Medicina do ABC. 

Atua como cirurgião urologista no Einstein Hospital Israelita e é especializado em procedimentos minimamente invasivos, incluindo cirurgia robótica.

Com atendimento humanizado e centrado no bem-estar do paciente, o Dr. Jonathan oferece acompanhamento completo desde o diagnóstico até o tratamento e reabilitação, sempre respeitando as necessidades individuais de cada paciente.

FAQ — Quem tem câncer de próstata pode ter relação sexual?

Quanto tempo após a cirurgia de próstata posso ter relação?
Geralmente após 45 a 60 dias, se não houver complicações. Sempre siga a orientação do seu urologista.

Vou conseguir sentir prazer sem ejacular?
Sim. O orgasmo e a ejaculação são processos diferentes. É possível ter orgasmo mesmo sem ejaculação.

A disfunção erétil após a cirurgia é permanente?
Não necessariamente. Muitos homens recuperam a função erétil com o tempo e tratamento adequado.

Minha parceira ou parceiro pode “pegar” câncer por contato sexual?
Não. O câncer de próstata não é contagioso e não se transmite por contato físico ou sexual.

A atividade sexual previne câncer de próstata?
Estudos sugerem associação entre ejaculações frequentes e menor risco, mas não há comprovação definitiva. O melhor é manter hábitos saudáveis e realizar exames preventivos.

Homem idoso sorrindo em ambiente confortável ao lado de chamada para agendamento de consulta médica, ilustrando tema sobre câncer de próstata e qualidade de vida.

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