O câncer de próstata é o tipo de tumor maligno mais comum entre os homens brasileiros, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma.
Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que o câncer de próstata representa quase um terço dos diagnósticos de câncer em homens, com mais de 70 mil novos casos e cerca de 16 mil mortes todos os anos no país.
Apesar da alta incidência, essa condição ainda é cercada por desinformação. Por isso, entender os sintomas, causas, fatores de risco e tratamentos disponíveis é um passo importante para reconhecer os sinais logo no início e aumentar as chances de cura.
Neste artigo, explicamos o que é o câncer de próstata, quais são os principais sinais de alerta que merecem atenção, os exames mais utilizados para confirmar o diagnóstico e as opções de tratamento disponíveis para cada estágio da doença.
Quais são os fatores de risco para o câncer de próstata?
O câncer de próstata ocorre quando há uma multiplicação anormal das células da próstata, formando um tumor maligno. Segundo o Inca, a doença é responsável por uma morte a cada 38 minutos no Brasil, o que reforça a importância do diagnóstico precoce.
Embora suas causas ainda não sejam totalmente esclarecidas, especialistas acreditam que o surgimento da doença esteja ligado a uma combinação de fatores genéticos, hormonais, ambientais e relacionados ao estilo de vida.
Veja os principais fatores associados ao surgimento e à evolução do câncer de próstata:
- Envelhecimento: o risco de câncer de próstata aumenta a partir dos 50 anos, sendo ainda mais alto após os 65 — faixa etária que concentra cerca de 80% dos casos;
- Alterações hormonais e reprodutivas: desequilíbrios nos níveis de testosterona e outros hormônios sexuais favorecem o crescimento anormal das células prostáticas;
- Etnia: homens negros apresentam maior risco de desenvolver câncer de próstata em formas mais agressivas e com início em idade mais precoce;
- Histórico familiar: ter parentes de primeiro grau diagnosticados com câncer de próstata eleva significativamente a probabilidade de desenvolver a doença;
- Obesidade: o excesso de gordura corporal está associado a inflamações crônicas e alterações hormonais que favorecem o desenvolvimento e a progressão do tumor;
- Sedentarismo: a ausência de atividade física enfraquece o sistema imunológico, favorece processos inflamatórios e contribui para o acúmulo de gordura corporal;
- Dieta desequilibrada: o consumo frequente de carnes vermelhas, embutidos e alimentos ultraprocessados pode impactar negativamente a saúde da próstata;
- Exposição ocupacional: o contato prolongado com substâncias químicas como cádmio, herbicidas e pesticidas pode elevar o risco da doença;
- Alcoolismo: o consumo frequente e excessivo de álcool está associado ao aumento do risco de diversos tipos de câncer, inclusive o de próstata;
- Alterações genéticas: mutações no DNA das células prostáticas — herdadas ou adquiridas — comprometem o controle celular e favorecem o crescimento do tumor.
Compreender os fatores de risco do câncer de próstata é essencial para identificar os homens com maior vulnerabilidade à doença. Isso reforça a importância de prestar atenção aos sinais do corpo e manter um acompanhamento médico regular.
Quando o indivíduo apresenta um ou mais desses elementos, é fundamental adotar uma rotina de cuidados com a saúde prostática, o que inclui a realização periódica de exames como o toque retal e a dosagem do PSA.
Médicos costumam indicar os exames a partir dos 40 ou 50 anos, conforme o histórico pessoal e familiar, para detectar alterações mesmo antes do surgimento de sintomas.
Vale lembrar que a presença desses riscos não garante necessariamente que a pessoa desenvolverá a doença. Da mesma forma, muitos homens recebem o diagnóstico mesmo sem apresentar causas identificáveis.
Quais os sintomas do câncer de próstata?
Na maioria dos casos, o câncer de próstata não provoca sintomas nas fases iniciais, o que reforça a importância do rastreamento regular. Os sinais costumam aparecer apenas quando a doença já está mais avançada ou compromete estruturas ao redor da glândula.
Por isso, não é incomum que o câncer evolua silenciosamente nas fases iniciais da doença, quando o tumor ainda está localizado apenas na próstata.
Entre os sintomas que merecem atenção, estão:
- Dificuldade para urinar ou jato urinário fraco;
- Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga;
- Maior frequência urinária, especialmente à noite;
- Presença de sangue na urina ou no sêmen;
- Dor ao urinar ou durante a ejaculação;
- Disfunção erétil.
É importante ressaltar que esses sinais também podem estar relacionados a condições benignas, como hiperplasia prostática benigna (HPB) ou infecções urinárias. Somente um médico poderá fazer o diagnóstico correto, com base em exames específicos.
Nos estágios mais avançados, o tumor pode se espalhar para estruturas próximas, como reto e vesículas seminais, além de atingir linfonodos, ossos e outros órgãos.
Nesses casos, podem surgir outros sintomas de câncer de próstata, como:
- Dores pélvicas ou ósseas (em regiões como costas, quadril e ombros);
- Dor na região dos testículos ou próximo ao ânus;
- Perda de peso;
- Dormência ou fraqueza nos pés e mãos;
- Infecção generalizada;
- Insuficiência renal, entre outros.
É importante destacar que, nesse estágio, o exame de toque retal geralmente revela uma próstata endurecida e o PSA costuma apresentar níveis bastante elevados.
Portanto, ao perceber qualquer sinal fora do comum, não hesite em buscar ajuda médica. Cuidar de si, ouvir o próprio corpo e fazer os exames de rotina é uma forma de se proteger e garantir mais saúde e tranquilidade no dia a dia.
Como é feito o diagnóstico do câncer de próstata?
Detectar o câncer de próstata precocemente faz toda a diferença no tratamento e no prognóstico da doença. Por isso, o diagnóstico combina exames clínicos, laboratoriais e de imagem que permitem ao médico avaliar com precisão a saúde da próstata.
A avaliação geralmente envolve os seguintes exames:
Exame de toque retal
Trata-se de um exame rápido, geralmente indolor e fundamental para a avaliação clínica da próstata. Por meio do toque, o médico pode identificar possíveis alterações no tamanho e a presença de nódulos ou áreas endurecidas que possam sugerir a existência de um tumor.
Dosagem do PSA
O PSA (Antígeno Prostático Específico) é uma proteína produzida pela próstata. Níveis elevados no sangue podem indicar inflamações, aumento benigno da glândula ou até mesmo a presença de um câncer — sendo fundamental investigar a causa.
Biópsia da próstata
Indicada quando há alterações no PSA ou no toque retal, é o único exame capaz de confirmar o diagnóstico de câncer de próstata. Consiste na análise de fragmentos da glândula coletados por via transretal ou transperineal.
Exames de imagem
Tomografia, ultrassonografia transretal, ressonância magnética multiparamétrica e cintilografia óssea podem ser solicitadas para avaliar a extensão do câncer e identificar possíveis focos de metástase, contribuindo para um planejamento terapêutico mais preciso.
O diagnóstico precoce faz toda a diferença: quanto mais cedo a doença for detectada, maiores as chances de cura, controle e preservação da qualidade de vida.
Principais estágios do câncer de próstata
Ao confirmar o câncer de próstata, o médico identifica em que estágio a doença se encontra. Essa avaliação é essencial para definir a melhor estratégia terapêutica, prever o comportamento do tumor e estimar o prognóstico do paciente.
A seguir, veja um resumo dos principais estágios do câncer de próstata segundo o sistema TNM, utilizado mundialmente para classificar a extensão da doença:
Essa classificação orienta o plano de tratamento e ajuda médicos e pacientes a tomarem decisões mais seguras e alinhadas ao estágio da doença.
Quais são os tratamentos para câncer de próstata?
O tratamento do câncer de próstata varia conforme o estágio da doença, a idade do paciente, suas condições clínicas e seus objetivos pessoais em relação à qualidade de vida.
Nos casos localizados, as chances de cura são elevadas. Já em situações mais avançadas, o foco do tratamento pode ser controlar a progressão do tumor e preservar o bem-estar.
A seguir, conheça as principais opções terapêuticas adotadas atualmente:
Intervenção cirúrgica robótica
A cirurgia robótica tem se consolidado como uma das abordagens mais eficazes e seguras de tratar o câncer de próstata localizado. Trata-se de uma evolução da cirurgia laparoscópica, que oferece vantagens importantes em relação à técnica convencional.
O procedimento é minimamente invasivo e utiliza braços robóticos inseridos por pequenas incisões no abdômen — a maior delas, com cerca de 2 a 3 cm.
Três desses braços manuseiam instrumentos cirúrgicos delicados, enquanto o quarto carrega uma microcâmera que transmite imagens em alta definição e 3D.
As imagens são ampliadas e exibidas em um monitor, permitindo ao cirurgião controlar o robô com alta precisão — tecnologia que aumenta a visibilidade do campo operatório e reduz significativamente os riscos de complicações.
Em comparação com a prostatectomia radical convencional, que exige uma incisão maior, do umbigo à região pubiana, a cirurgia robótica é menos invasiva, proporciona menor sangramento, reduz o tempo de internação e favorece uma recuperação mais rápida.
Prostatectomia radical
Uma das principais formas de tratamento do câncer localizado, a prostatectomia radical consiste na retirada completa da próstata, das vesículas seminais e, em alguns casos, dos linfonodos pélvicos — com o objetivo de eliminar o tumor e prevenir sua recorrência.
O procedimento pode ser realizado por via aberta, laparoscópica ou robótica, sendo esta última associada a menor tempo de internação e recuperação mais rápida.
Radioterapia
A radioterapia utiliza radiações ionizantes para destruir ou impedir o crescimento das células tumorais. É um tratamento não invasivo que atua diretamente no DNA das células doentes, comprometendo sua capacidade de multiplicação.
O especialista aplica essa técnica de forma externa, com feixes direcionados à próstata, ou interna, inserindo pequenas fontes radioativas na glândula (braquiterapia). Ele a indica principalmente quando o tumor ainda está confinado à próstata.
Terapia hormonal
Indicada em especial para casos localmente avançados ou com metástase, a terapia hormonal tem como objetivo reduzir os níveis de testosterona — hormônio que estimula o crescimento das células tumorais.
Essa abordagem ajuda a controlar o avanço da doença e pode ser utilizada isoladamente ou em combinação com outras terapias, como radioterapia ou quimioterapia.
Quimioterapia
Recomendada para os estágios mais avançados da doença, a quimioterapia é utilizada quando o câncer deixa de responder à terapia hormonal.
O tratamento age de forma sistêmica, destruindo células cancerígenas em diferentes partes do corpo e ajudando a controlar a progressão do tumor.
Vigilância ativa
Indicada para pacientes assintomáticos e com tumores de baixo risco, a vigilância ativa consiste no acompanhamento rigoroso da doença por meio de exames periódicos.
O médico só inicia o tratamento quando há sinais de progressão, o que permite adiar — ou até evitar — intervenções mais invasivas e seus possíveis efeitos colaterais.
Câncer de próstata tem cura?
Sim, o câncer de próstata tem cura, especialmente quando é diagnosticado precocemente e tratado com a abordagem adequada. Em estágios iniciais, as taxas de cura superam 95%, o que reforça a importância do rastreamento regular e dos exames preventivos.
Em geral, o tratamento para esse tipo de câncer envolve a remoção cirúrgica da próstata, podendo ser complementado por radioterapia, terapia hormonal ou quimioterapia, conforme a extensão da doença e o perfil do paciente.
Já nos casos mais avançados ou com metástase, o foco passa a ser o controle do câncer e a manutenção da qualidade de vida. Nesses quadros, o uso de medicamentos e outras estratégias terapêuticas pode ajudar a prolongar a sobrevida.
O importante é reforçar que o diagnóstico precoce ainda é o principal aliado na luta contra a doença. Quando identificado tardiamente, com comprometimento de outros órgãos, a taxa de sobrevida em 5 anos pode cair para cerca de 30%.
Quem tem câncer de próstata pode ter relações?
Sim, é possível manter uma vida sexual ativa após o diagnóstico — principalmente com acompanhamento médico adequado e estratégias adaptadas a cada etapa do tratamento.
Fatores como o tipo de abordagem adotada, os possíveis efeitos colaterais e a idade do paciente podem influenciar temporariamente o desejo ou a função erétil.
Com o apoio de um urologista especializado e de terapias complementares, como reabilitação sexual e psicoterapia, é possível recuperar a confiança, adaptar expectativas e preservar o bem-estar íntimo com mais leveza, segurança e respeito ao próprio tempo.
Como prevenir o câncer de próstata?
Embora nem todos os casos possam ser prevenidos, adotar hábitos saudáveis contribui para reduzir os fatores de risco do câncer de próstata.
Somado a isso, manter uma rotina de exames preventivos é essencial para identificar a doença ainda nas fases iniciais, antes mesmo do aparecimento dos sintomas.
Veja algumas medidas importantes de prevenção:
- Adote uma alimentação equilibrada: reduza carnes vermelhas e processadas, evite ultraprocessados e dê preferência a frutas, vegetais e gorduras saudáveis;
- Mantenha uma rotina de atividade física: o sedentarismo aumenta o risco de diversos cânceres, inclusive o de próstata, e prejudica a saúde geral;
- Evite cigarro e consumo excessivo de álcool: essas substâncias favorecem alterações celulares e enfraquecem o sistema imunológico;
- Cuide do peso corporal: a obesidade está ligada a tumores mais agressivos, pior resposta ao tratamento e impacto negativo no prognóstico geral da doença;
- Faça check-ups urológicos regulares: o ideal é iniciar a partir dos 40 anos, ou antes, se houver histórico familiar de câncer de próstata.
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Especialista em urologia, ele oferece uma abordagem clínica e cirúrgica moderna, com foco no diagnóstico precoce e no tratamento individualizado do câncer de próstata — incluindo as tecnologias mais atuais, como a cirurgia robótica.
Sua atuação combina excelência técnica, empatia e estratégias personalizadas para preservar a saúde integral do paciente, inclusive no campo sexual.
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